domingo, 14 de outubro de 2012

85 - 13.Out. - Retorno ao Choupal

Depois das Vindimas e das Desfolhadas, das Danças e Cantares de Valbom, das Sopas de Nabo Gordurentas nas tasquinhas do Rosário, conforme explicitou com todas as letras, o Neca (tema para próximas preclarações), o regresso ao Ninho  fez-se normalmente embora muitos Melros ainda andem por outros Choupais. 
Um Melro ainda sem asas formadas, o Zé Pereira, apareceu pendurado nas asas já velhas do Súcio vindo de Lamego mas prontinho para os milhos que no Ninho estão sempre à nossa espera.  
Os milhos primeiros são sempre petiscados com cerimónia, porque os Melros sabem que têm todo o tempo de mundo. 
Salpicão e presunto, pataniscas e bolinhas de carne, chouriços e morcelas, bôlas fofas, branco e tinto (loirinha para o único trabalhador Melro), vão na calma acalmar os papos.
Intervalo para umas conversetas políticas-futebolísticas-guerreiras que embora já muito sabidas são sempre descarregadas e ouvidas com prazer. Pois então. 
Aproveita-se o tempo e a disponiblidade para umas fotos artísticas made-in-Picasa

Amesentaram-se os Melros na Sala-Museu, artísticamente engalanada com a já habitual galhardia do Gil e a paciência do Paulo.  
Com muita calma os Melros vão aguardando a distribuição do primeiro, isto é, de uma bela sopa de nabos com feijão e uns fumadinhos que estava uma delícia. 
Até o único trabalhador Melro, extraordinàriamente, comeu o seu prato dela, mas lamentando que não fosse em tijela. Em primeiro plano, um belo ramalhete de Hortências (ou serão Redodendros ?) colhidas fresquinhas nos jardins do Choupal.
O Cibrão palreando com o novo Melro, enquanto o Neca preparava mentalmente os seus discursos. Na falta do Discursador oficial Carlos Silca, alguém tinha de o fazer. Melhor dizendo, de os fazer. Tal qual o Carlos, ponto.
Momento da oração sobre a Sopa de Nabos, preparando novamente o papo mas agora para um cozido como il'faut. Não teve direito a fotos o tal cozido, distração do único trabalhador Melro, preocupado em apanhar as unhas de porco, a orelheira e a asa do frango.
 
Começaram então os discursos do Neca, felizmente que ao contrário dos do Carlos deixou para o intervalo entre o Cozido e as Doçarias. O primeiro foi sobre "Porque houve Botas tão Pequenas e a quem Serviam ?". Segundo percebi - os discursos sejam antes, durante ou após qualquer coisa são sempre de dificuldade máxima para quem os ouve - o Neca quiz-se referir não ao Botas, mas sim à personalidade sua, muito pessoal, que deu a 4ª classe quando podia ter dado de Engenheiro Civil de Olhos azuis. Vocês sabem a que me refiro.  
Continuando o seu discurso, dizia o Neca que mais vale uma caneca de Tinto doce do que ser de dentro do arame. Não sei a quem ele se quiz referir, mas acho que falou muito num tal de Bateira e num outro, o Portojo. 
Enquanto fálava e faláva e faláva já as sobremesas estavam à maneira para serem destroçadas, martirizadas até, como só um grupo de combate liderado pelo Neca, que embora nascendo inteiro mais parece que foi soldado, seria capaz de fazer.
Mas há quem infelizmente não ligue a discursos porque tem outras preocupações na vida. Que podem ser A.G. de Bancos ou de entidades tipo Galinhas do Mato.
Lá foram indo, calmamente, as doçarias direitas aos papos. E ninguém ligava ao Neca.
Inteligentemente, mudou a estratégica discursiva. Erguendo o seu copo de tinto, apontou à medalha que lhe foi dada e aposta especialmente pelo General Betencur, numa visita também toda ela especial à equipa especial do Neca.
E o Neca, gritando bem alto, talvez até o Carlos tenha ouvida lá na Mouraria, textualizou as palavras do General: Neca, ofereço-lhe excepcionalmente mais uns dias neste resort, esperando que goze tranquilamente e com paz de espírito como bem merece. Aqueles abrigos em betão, copiados dos da Normandia aquando da 2ª Guerra, serão um luxo para quem nunca saiu do arame. Nunca terão disso lá na Europa. E o Neca, sensibilizado, a compor as frases do General (um àparte, quem foi o Gen. Betencur ?) quási derramava umas lágrimas no copo de tinto.
Infelizmente, Neca, por essa altura acho que só eu te ouvia. Por isso a minha homenagem solidária ao comandante que só quiz ser soldado, embora tenha nascido inteiro.
Ó Bateira, o Neca diz que tu sabes que é verdade. Ele não precisava de falar tanto nessa verdade porque nós acreditamos.
  
Faltava dar a conhecer e mostrar para a posteridade o novo Melro (mas eu vi dois ou foi do tinto ?) o Zé Pereira e aqui vai a sua morada: jaapze@gmail.com
Toma nota, ó Carlos.

E é por isso que existem Melros e Bandos, Tabanca e Encontros de Ex-Combatentes do Ultramar. Saltar de galgo em galho, desabafar, contar pilérias enquanto ela nos deixa por cá andar.

A todos os ex-camaradas e não só a Melros e outras Aves de Arribação, lembramos que o próximo convívio é a 10 de Novembro, véspera de S. Martinho, se a memória não falha. Cheira-nos portanto a Castanhas e Vinho Novo. E talvez até uns Rojões e umas Papas de Serrabulho, que nestas coisas o Melro Gil Aviador não deixa ficar para asas alheias.

Daqui faço o meu apelo pessoal aos grandes Melros David Guimarães, Manos Martins e Carlos Costa, a sua sensibilidade Tabanqueira-Artística para que façamos deste dia uma Melrada diferente. Oxalá todos o possamos gozar. 

1 comentário:

  1. Amigo Jorge : Este melro que faltou, gostou muito deste comentário sobre o Quelhas.Parece um quadro pintado a cores pelo PORTOJO. Um abraço.
    A.P. Vilela

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