domingo, 13 de janeiro de 2013

91 - Salvé Melros

Como qualquer bom correspondente de guerra incumbido para uma operação difícil, chegar atrasado à guerra pode ser bom ou mau. Depende de conforme se queira ver (ou imaginar) o ângulo do correspondente.
No caso presente desta correspondência, nem foi bom nem mau. Antes pelo contrário. Isto quer dizer que o correspondente tinha todos os argumentos que só mais três correspondentes poderiam confirmar para chegarem atrasados, mas ainda a tempo de apanhar com algumas boas "bojardas".
É certo que se perderam os preliminares, isto é, o breefing da operação.  Normalmente costuma ser de grande importância pois os operacionais querem saber todos os pormenores, tais como: estás melhor da artrite, já não usas as bengalas, a fiseoterapia está a resultar, descontaram-te algum na reforma deste mês, deixaste de fumar, o bagaço era bom, tudo seguido de interrogações pois só assim a comunicação é perfeita.
Nada a fazer quando se perdem os preliminares mas mesmo assim conseguimos integrar a cauda da coluna cuja cabeça já estava no objectivo número 1 atacando à vista a Punheta de Bacalhau, o Presunto, o Chispe, as Chouriças, as Tripas e Alheiras, a Bola de Carne. Empurrando o IN com muito verde, branco, rosé, tinto, cerveja, água de desidratação (pouca e comovente).
Reforços humanos, fresquinhos em folha, apareciam aqui e ali.
O correspondente só anota, pois o chefe Carlos Silva das operações básicas fez o favor de ficar na retaguarda moura e o sub-chefe Barbosa estava meio ó pra lá porque causa da prótese nova. Assim, as apresentações ficarão para outra operação.
Mas o Barbosa vai aprender depressa a funcionar com a prótese-trituradora, quando mais não seja retirando-a nos momentos operacionais, como faz aqui o correspondente.
Após um descanso merecido, retomou-se a operação para o objectivo dois, diga-se de passagem, muito mais ameno. Ambiente aquecido com uns toros a arder na centenária lareira e ficamos todos a postos, menos os correspondentes que precisavam de registar as imagens para complementar os seus artigos.
O ataque começou com a carga sobre um creme de feijão, que umas "sopinhas" de pão ajudaram a fortalecer.
A segunda vaga caiu sobre um pica no chão. O Cmdt-em-Chefe Gil deve ter ficado com a cabeça em água quando contava com uma unidade de 20 elementos e lhe apareceu o dobro para comandar.
Mas quem é Chefe na retaguarda sabe tomar conta da operação quando alguma coisa parece que vai correr mal, e então apareceu um reforço de Lombo assado que bem atacado sofreu as consequencias.
Conversas muitas, estórias também pois é disso que o aquartelamento Melreiro precisa e gosta.
E enquanto os novos reforços doceiros (tortas e bolas disto e daquilo, rolo de geleia, creme de leite torrado) e frutivos (uvas, kiwis, maçãs assadas, bananas e uns etc's.) não chegavam, a conversa seguia descontraída com o sentido do dever cumprido.  
Já se esperava o fim da operação com resultados positivos.
 Um dos donos da guerra olhando pelo bem estar geral
Apareceu no final da operação uma espécie de granada, estranha aos operacionais. Uma garrafa de água Campilho, com selo e gargantilha, mas de cor escura.
O que será ?, interroga-se o Paulo, experiente expedicionário, preparado para a deitar barranco abaixo.
Mas logo chegaram os Cafés e este correspondente foi brindado com uma gloriosa bebida contida na dita cuja garrafa.
Nada mais, nada menos, do que a célebre Aguardente Velha, enriquecida em Casco de Carvalho, produzida, pensa este correspondente, pelo camarada Bateira, mas com segredo bem guardado. 
Faz-me lembrar uma outra sigiliosa receita também de uma Aguardente do velho amigo e camarada Peixoto de Penafiel, muito conhecida pela do Padre, Abade, Monge, não interessa. Interessa sim que este correspondente é muito querido desta gente e então oferecem-lhe de vez em quando destas coisas. 
Como é bom ser correspondente de guerra.  




Registos do antes e após operações. Gente feliz, sem lágrimas. Até ver.

Mas temos de registar o pedido-imposto do camarada Neca Quelhas. O camarada quer que nesta Tabanca se diga toda a verdade e nada mais que a verdade. Os Xicos ficam de fora, tal como eu me prezo de ter sido mas sinto-me triste, porque a guerra foi controlada por nós. Neca dixit. Neca não nos quer.
Começou o Neca uma petição para chegar ao Chefe operacional e logo pelo Paulo.

Como Presidente Bandalho, o J.Teix.45 aceitou de bom grado a petição e assinou-a, embora ele tenha sido também um Xico e logo, por conseguinte, por consequencia, um dono da guerra.
O Bateira, que está aí e não me deixa mentir sabe que foi assim. Palavras do Neca. Embora tenha sido um desenfiado, um Xico, também um dono da guerra ainda segundo o Neca.
O Jorge Peixoto Bandalho quis mostrar ao Neca que também uma farda de Bombeiro, em bom tecido, pode fazer parte do Museu. A farda apareceu o mês passado, não se sabe como. Talvez tenha vindo da Mouraria, da Feira da Ladra. Na Feira de Vandoma ou dos Passarinhos ainda não aparecem destas coisas. Mas não há registos.
Mas tem marca na auréola e tudo. 
O Neca ajudou a mostrar. Para que a verdade seja imposta.

Para que a petição do Neca siga em frente, o J.Teix45-Presidente Bandalho, prometeu que acendia uma velinha à nossa senhora dos desprotegidos da guerra e contra todos os Xicos deste mundo.
E para confirmar a reinvidicação-petição, nada melhor que o arquitecto da nossa Bandeira.
Quási 6 horas e os Melros custavam a levantar voo. Mas assim é que é bom. Já era noite escura quando Cmdt-Mestre Gil fechou o portão.

E Viva a camaradagem desta espécie em vias de extinção.
Da Tabanca dos Melros para todo o mundo, mandamos um abraço de amizade, votos de saúde e desejos de um bom ano.
Até Fevereiro.



90 - E assim começou o ano, com uma mensagem do DAVID GUIMARÃES

Mais uma melrada, um atabancamento ou grande encontro...
...ou escreves assim.... O David disse...
ora bem...

Mais um encontro, mais um "compromisso" que por cada um e tomado de fazer daquela Tabanca lindinha e sobretudo que cada um toma em ir encontrar um amigo também e... sempre mais um, que hora aparece e bem... Quer dizer sempre a crescer e bem. É o que eu tenho vindo a notar e isso é efectivamente bom...
Hoje tiveram de se acrescentar mesas e aquelas coisas todas de logística devido á menos boa comunicação entre quem vai e quem manda fazer a comida, o dono do equipamento da Tabanca... ESTAVA UMA "COMIDINHA" MUITO BOA e chegou e bem...

Gostei das conversas que se tiveram e notei que hoje se falou mais, pensava eu, mas não: falou-se mais porque era muito mais gente... Cerca de 40 pessoas mais um ou menos, já é um grande encontro....

Francamente gostei, eu que a certa altura pensei que fosse uma Tabanca que diminuía, com pouca gente que começava a haver - bem que me enganei e ainda bem que... 
NOTAS ÁPARTE... Fiquei a saber hoje que o Quelhas, nosso querido tabanqueiro, na Guiné, enquanto na comissão, nem um minuto teve de férias... Ele entusiasmado falou bem alto, até vi o Jorge (PORTOJO) quando tentei falar com ele, de olhos fechados, turvado pelos ouvidos e nem me ouvia...

Depois, com o entusiasmo com que estava, nem tive oportunidade de dizer ao Quelhas uma coisa: Nenhum combatente gozou férias e quem diz gozou está a dizer uma grande asneira....

Usamos uma licença disciplinar simplesmente - e como não gosto de falar de leis e muito menos militares... que veja quem melhor interesse tenha o que são férias e o que é uma licença disciplinar...


Assim correu bem, foi maravilha e pena foi o Carlos não estar - mas enfim, fica contente com a noticia ao saber destas coisas, pois ele dá a alma pela Tabanca e daqui o meu amplo elogio - É DIGNÍSSIMO HOMEM GRANDE e BOM CHEFE.
Assim posso dizer que vim de alma cheia e feliz...


Um abraço e que continuemos e engrossar o Povo da Tabanca dos Melros...
ESTÁ LINDA!