domingo, 13 de abril de 2014

112 - Os Melros e a Primavera

Há uma célebre, linda e arrebatadora canção e sempre que a ouvimos, chega a lágrima ao canto do olho. Não o das Tripas nem ao do Bonga, mas ao nosso o qual está bem implantado no meio do rosto. Rui Veloso musicou-a e canta-a. Carlos Tê foi o poeta. É o Porto Sentido.
Pois quem vem de Gaia, Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar e chega à Quinta dos Choupos a Fânzeres, não pode deixar de sentir a natureza em toda a sua força e beleza.
 Cada estação do ano tem o seu encanto, mas a da Primavera é diferente.
Os Melros não puderam deixar de sentir esta força, uma mistura de calor, cheiros e cores num dia de 22 graus - oh lálá - o que só por si é (foi) motivo mais que suficiente para abrir o apetite. E a sede. Não foi David ? lá metemos a nossa loirinha também para aperitivar.
Não quer dizer-se que os Melros nunca tenham apetite. Isso seria uma blasfémia insultuoso para quem passa por ter 60 anos. É brincadeirinha do escrivão desta Tabanca (graças ao São Damião e ao São Cosme, que não há mais ninguém para dividir os proventos deste trabalho) mas a verdade é que estamos quási todos a chegar aos 70. Em pé de laracha vamo-nos perguntando se já fizemos 69. E há quem diga... há que tempos... mas há também quem diga... quem eu ???? salvo seja
Adiante, pois sou pago à linha e por baixo da porta e por isso preciso de fazer render o peixe...
Portanto, falemos das comidas, isto é dos aperitivos assim denominados aos preliminares comestíveis, que para mim dariam para duas refeições. 
Mas Melros são Melros e de bico bem amarelo. É só vê-los a passear pela quinta.
Espero que esta coisa seja um Melro. 
Não sei de onde veio nem para onde vai.
Mas logicamente que não é destes Melros que se tratava, mas sim dos que atacaram o Polvo em molho Vinagret, (cá para mim é uma coisa simples com vinagre, azeite, pimenta e salsa, o essencial e perfeito ao paladar português mas é lindo dar o toque afrancesado e está na moda), por isso lá vai mais: os petites salgadinhos, maravilhosos rissóis, chamuças, almôndegas de viande, embrulhados em massas estaladiças ou outras, mais ovo e pão ralado avec un peu de pimenta, óh que delícia; E os de mariscos, em massa fofa, fofa, adiante, como diria o Crispim. 
Prontos, calma, também houve bola de carne, presunto, morcela assada, patés de marisco e de atum, para barrar em tostinhas, my god, como sabem bem. E azeitonas pretas, bem maturadas no pé, gordas e suculentas, marinadas em sal, azeite, alho e salsa/ou coentros. Mai'nada.
Chega a hora do assentar arraiais, que é como quem diz, meter os pés debaixo da mesa. Uma sopa de couve branca, com o toque imprescindível de cenoura, de batata, de cebola, essas coisas da horta.
Em fundo foi uma bochecha de boi assada - de cortar à colher - o arroz tão de nosso agrado, com manteiga no caldo -, batatas assada no forno de lenha com o acompanhamento agreste dos grelos cozidos au moment. Laranja da Quinta para desengordurar possíveis gorduras.
Uma espécie de Molotof com cores de caramelo, estava divinal. O bolo de chocolate e a tarte de frutos secos e recheio de ovos moles, idem. Frutas virgens, incluindo umas maçãs golden com pau de canela enfiado bem no meio, toque de vinho do Porto e açucares cândidos, de derreter na boca. Nem vos conto mais.  
Alguém tinha de meter o bedelho neste meu trabalhoso trabalho, só para me estragar a imagem. Mas deixa p'ra lá. 
Não sei porque artes do diabo, levantou-se um movimento espontâneo liderado por um incógnito cidadão Melrístico. Querem lá ver, não é que a coisa ia dando para o torto....

Só porque não há Tripas há mais de um ano, fez-se uma revolução de braço no ar, tipo levantamento de rancho após o mesmo ser comido, a apoiar uma moção de Tripas em Maio. Parecia o tempo do PREC. Como a coisa está feia.
Obrigatoriamente, a moção foi aprovada por unanimidade, menos um. Tá-se mesmo a ver um Jorge a pedir bacalhau assado na brasa...Valha-nos Deus valha...
Para acalmar os ânimos, o Bateira reforçou a dose do seu bagaço especial. A sorte que este escrivão teve por estar afastado do centro da revolução. Por isso mereceu atenção especial...
Os Jorges devem ainda estar a refazer-se do susto. É que não há revoluções todos os dias.
Peludos na Peluda. E contra a razão não há argumentos.
 Uns bonecos de fim de dia, coisa feita à balda só para chatear.
 Uma dádiva para o Museu - ignora-se de quem veio a oferta - serviu para o Jorge ( Presidente Bandalho Teixeira) experimentar se a coisa lhe ficava bem. A mochila pesa p'ra caramba, mas a boina só cabe na cabeça de um especial...
De novo ao ar livre. E como fez bem a algumas cabeças revolucionárias.
 'Táva quási na hora do adeus. Olhem como os Choupos estão já cobertos. As videiras também estão a puxar e venha Maio para as Tripas do Choupal. Dos Melros.
Saudades ao Súcio, ao Zé pintarola de Lamego, ao Nogueira, ao Neca, aos Martins, ao Carlos tenor, ao Carlos Silva e a muitos outros camaradas que nos têm deixado abandonados no nosso ninho.
Um abraço a todos.